terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Livro II - Salmos 70 – A primeira reacção

Depois de ler este pequeno salmo, uma oração que é um pedido de auxílio a Deus, fiquei a pensar em como devemos recorrer a Ele em primeiro lugar, antes de ficarmos deprimidos e ansiosos, antes de pedirmos a conhecidos e amigos que nos ajudem, antes de tentar qualquer jeitinho para solucionar a enrascada em que estamos, Ele deseja ser a nossa primeira fonte de socorro.

Certos problemas que enfrentamos provocam em nós tal instabilidade que imediatamente somos assaltados pelo medo. O medo chega mais depressa à nossa mente do que a Palavra e as promessas do Pai Deus. Começamos a visualizar mais depressa a desgraça do que a intervenção sobrenatural de Deus em nosso favor.

Esta é uma das grandes diferenças entre nós e Jesus, o medo e a visualização da desgraça não entravam na Sua mente, porque embatiam na Sua firmeza na Palavra do Pai Deus. Ele via o Pai, nós vimos o plano de satanás, Ele via o resultado da Sua acção, nós vimos o resultado da acção do inimigo.

A nossa impotência perante esta realidade, não expressa outra coisa senão a nossa profunda necessidade de nos aproximarmos mais Dele, de orarmos e meditarmos na Palavra, de separarmos tempo de solicitude, aprendendo a viver com Ele lado a lado, para que quando o inimigo sussurrar ao nosso ouvido os seus planos, a nossa primeira reacção seja: “Apressa-te ó Deus em meu auxílio … só tu podes auxiliar-me e libertar-me...”

Livro II - Salmos 69 – Humildade que O atrai

Um salmo curioso, fiquei a pensar nele depois de o ter lido duas vezes.

Encontramos neste salmo muitas referências proféticas à vida de Jesus, no entanto é um salmo em que o autor expressa arrependimento pelos seus pecados e os confessa.

É curioso que Jesus use um salmo onde pecados são confessados, para colocar tantas expressões proféticas acerca de si mesmo. O aspecto curioso é que Ele nunca pecou, mas no meio das expressões de arrependimento e de pedidos de perdão, levanta uma voz profética sobre a Sua própria vida.

Podia ter sido escrito um salmo só para estas enunciações proféticas, mas não, são colocadas num salmo em que o autor pede ajuda, reconhece fraquezas e expressa a sua dependência de Deus. O que leva Deus a identificar-se tanto com o salmo ou o salmista, ao ponto de ousar como um canal profético?

Penso que a resposta está na atitude de humilhação tomada aquando de uma confissão pública de pecados, no desejo do autor de depender de Deus, na humildade de não temer o que os outros possam achar da sua atitude, mas reconhecer ainda que diante de pessoas a sua necessidade de ajuda, o seu pecado, a carência de perdão.

Esta atitude de humildade atrai o Mestre da humildade, porque ninguém supera Jesus na humildade e humilhação, Ele sente-se atraído por lugares onde as pessoas são humildes, dependem Dele e rejeitam o orgulho. Talvez por isso Ele escolheu o salmo para estas afirmações proféticas, viu a humildade de um homem que até era rei, a sua humilhação e identificou-se com Ele.

Ele sente-se atraído a estar comigo? Nem sempre, muitas vezes não ...

Livro II - Salmos 68 – Ideias associadas à vitória

Li este salmo e fiquei a pensar na mensagem que o salmista nos queria transmitir. É sem dúvida um salmo que fala de vitória e louvor. Creio que os podemos associar, no contexto da Bíblia essa associação existe, onde existe louvor vai existir vitória.
Por outro lado existem no salmo outras ideias associadas à vitória, existem outras descrições da acção de Deus, neste salmo que enfatiza tanto a vitória de Deus sobre os Seus inimigos. Aprendemos que se queremos vitória devemos louvar a Deus com júbilo e entusiasmo, mas será só isso?
“Ele é Pai dos órfãos é quem defende o direito das que são viúvas, porque é santo. Ele faz com o que vive só e isolado tenha uma família, liberta os presos das cadeias.”
Estas não são também acções associadas à vitória? Louvar é bom, se aprendermos a louvar com alegria, não permitindo que a tradição nos prenda, mas com liberdade proclamar a Sua grandeza, sem dúvida que é muito bom. No entanto se virmos apenas esse aspectos tornamo-nos pessoas egoisticamente bem dispostas, que não aprenderão a chorar com os que choram e a lutar as suas causas.
Necessitamos louvar e reconhecer a importância do louvor libertador, sem esquecer que necessitamos ser pais e mães para os que não têm pai nem mãe, necessitamos ser advogados dos que ninguém quer defender, necessitamos ser a família dos que não tem família, não permitindo que fiquem sós, mas rodeando-os de laços familiares e aliviar o sofrimento dos que estão presos.
Ele não é só o Deus que recebe o louvor, Ele não é só o Senhor que derrota os nossos inimigos, que sobe às alturas levando os cativos, que nos enche de benefícios e nos dá a Sua salvação, Ele também desce para ir ter com os órfãos, as viúvas, os solitários e os presos.
Não podemos querer partilhar com Ele os momentos de júbilo e vitória, necessitamos aprender a partilhar com Ele os momentos de paternidade com os que não sabem ter um pai, os momentos de cuidar de quem não sabe ser cuidado, os momentos de solidariedade com quem não sabe o que é ser solidário e os momentos de ajuda com quem não sabe o que é importarem-se com a sua vida. Ele não quer ser só pai dos que anseiam por um pai, Ele também quer ser Pai dos que dizem não querer, mas necessitam de um. É difícil ser pai dessas pessoas, porque o nosso esforço é rejeitado.
Uma Igreja que apenas sabe acompanhar O Pai Deus nos momentos em que Ele se levanta em vitória e triunfo é uma igreja muito superficial e descomprometida, mas uma Igreja que tanto o sabe acompanhar quando Ele se levanta em vitória como o acompanha quando Ele se baixa em compaixão é a Igreja que Ele procura.

Livro II - Salmos 67 – Pontos de vista

Se escrevêssemos este salmo segundo o nosso ponto de vista, diríamos:

1 Que Deus tenha misericórdia de mim e me abençoe. Que a Sua luz brilhe sobre mim 2 e isto para que todos os meus vizinhos vejam a minha prosperidade e a minha comunidade me honre como pessoa importante. 3 Eu viverei feliz e com alegria quando lhes mostrares a minha justiça e quando eu os liderar. 4 Que todos sem excepção me agradeçam. 5 Quando isto suceder a minha casa terá realmente abundância, evidencia de que tu me abençoas e então até os conhecidos mais distantes reconhecerão o meu valor.

Que bom que a bíblia não foi escrita por nós.

Livro II - Salmos 66 – Estranhas coisas ocorrem durante a aflição de um justo

Li este salmo e no final fiquei a pensar que o Pai Deus não se esquece dos Seus filhos, mesmo quando carregamos fardos pesados, quando nos pisam e nos sentimos esmagados, quando nos sentimos em grande dor, como se de fogo se tratasse, quando nos sentimos engolimos pelos problemas como se nos estivéssemos a afogar, Ele continua a não se esquecer.

Se ele não se esquece porque motivo permite? Esta é talvez a primeira pergunta que nos ocorre e sobre a qual podemos ter muitas opiniões e poucas certezas.

No entanto o texto conta-nos algumas coisas que acontecem como resultado desses momentos de dor, considerando que não deixamos o temor do Senhor, nem guardamos iniquidade no nosso coração:

Ele tem um final planeado. Quando estamos aflitos olhamos apenas para o que nos rodeia e para a aflição que sentimos, mas o Pai Deus olha para muito mais longe, ele já está a ver o final daquele problemas e o que Ele tem preparado para a nossa vida. Ele planeia abundância, deseja consolarmos tal como fazemos com um filho que se aleija ou que tem medo, para que os nossos abraços o façam sentir seguro e assim o medo desapareça.

Na aflição fazemos novos votos, que expressam uma maior entrega. É em momentos de aflição que muitas vezes vimos o pouco que nos temos dedicado ao Pai Deus, porque sentimos necessidade de o buscar mais e apercebemo-nos do longe que temos estado.

Somos purificados. Quando conseguimos perceber a distância que temos mantido do Pai, se formos sinceros connosco próprios, também nos apercebemos do que tem ajudado essa distância, do pecado que temos abrigado e para chegar mais perto arrependemo-nos e somos purificados.

Ele não rejeita as nossas orações, nem nos nega o Seu amor. Esta é uma das Suas características mais impressionantes, pois revela a Sua fidelidade. Podemos acha-lo longe, mas Ele está perto, está a ouvir, a amar, a tentar falar, pena que o não consigamos escutar com o ruído da nossa ansiedade.

Estranhas coisas ocorrem durante a aflição de um justo.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Livro II - Salmos 65 – Coração missionário

Um bonito hino de louvor ao génio criador do Pai Deus e ao Seu deseja de alcançar toda a humanidade.

Apenas olhando para o mundo criado, podemos ver o desejo missionário do Pai Deus, porque em qualquer ponto do planeta, encontramos a Sua bênção sobre o povo que aí vive.

Deus não criou povos especiais, não ama um povo mais do que a outro, Ele deseja alcançar todos os povos e cada indivíduo. Este hino mostra-nos que Ele deseja que todos os povos fiquem “...pasmados com os Seus actos gloriosos.” e cheios da Sua alegria, porque Ele quer ser a esperança da humanidade inteira, mesmo nos lugares mais afastados da terra.

Há alguns anos atrás não me conseguia imaginar a viver muito tempo em Portugal, estava convencido que a qualquer momento fazia as malas e partia para algum lugar do planeta, então o Pai Deus ensinou-me que missões é mais do que um bilhete de avião, começa por ser a atitude que temos no lugar em que vivemos.

O desejo de alcançar pessoas, de amar estrangeiros, de vencer barreiras culturais e linguística, de compreender novos pontos de vista, o esforço por amar aqueles que são diferentes, cujos costumes nos chocam, lutar contra a escravidão, seja espiritual ou humana, lutar contra a imoralidade cultural e contra o pecado em geral, desenvolver projecto ousadamente novos, mesmo quando implica sacrifício, vestir novas formas de estar e de forma pioneira começar o que outros nunca ousaram, remar contra a maré porque se deseja implantar uma cultura divina, sem pisar os aspectos positivos da cultura humana local, tendo Cristo como referência e motivação central, são características essenciais para a visão missionária, que devem existir no nosso coração, independente do lugar em que estamos e da cultura em que vivemos.

A semana passada aconselhei um irmão argentino falámos espanhol, dois dias atrás um guineense, conversámos em crioulo, ontem planeei trabalho para o Pai Deus em inglês com um irmão norte americano, hoje consegui que um homem de etnia saracolé me prometesse que ia estar presente na próxima reunião no E.P. De Olhão. Enquanto vivia na Guiné orei pelos saracolés, mas nunca os alcancei, mas ser missionário começa no coração e demonstra-se onde estamos. Como todas as coisas do Reino de Deus, é mais importante o que somos do que o que fazemos, se somos missionários, vamos demonstra-lo no lugar onde estamos. O Pai Deus é um missionário no coração e envia os Seus filhos ao mundo, pois deseja que “...toda a humanidade venha...” a Ele.

Livro II - Salmos 64 – Vivendo com contradições

Quando pensamos em David, pensamos nos seus fracassos como homem, mas também nos imensos sucessos que alcançou como rei e na sua relação com Deus. Creio que estes três factos são o que mais nos impressiona na vida deste pastor de ovelhas que chegou a rei.

Por outro lado ao ler salmos como este, fico a pensar na imensa pressão que foi colocada sobre este homem no decorrer da sua vida, que o leva a usar expressões tão fortes como:

Livra-me dos horrores em que meus inimigos me mantêm. Guarda a minha vida das intenções malignas desta gente ruim e das maquinações destes malfeitores que transformam as suas língua em armas de guerra atiram contra mim palavras venenosas.”

São tantos os salmos nos quais David descreve o seu sofrimento e a sua confiança na intervenção de Deus, que fico a pensar em toda a pressão que suportou. Um homem tão amado por Deus, que fracassou tanto, que alcançou tanto sucesso, mas esteve debaixo de tanta pressão.

Parece que estas são características que não se separam:

Deus ama-nos apesar dos nossos erros e quanto mais os admitirmos e reconhecermos, mais o Pai nos reconhece como pessoas segundo o seu coração, porque somos humildes, permitimos que os outros nos conheçam tal qual somos.

Podemos alcançar sucesso, sem nunca deixarmos de estar debaixo de pressão, porque a capacidade para o sucesso não é nossa, a vitória não é nossa, os dons e talentos foram-nos dados. Tudo o que em nós proporciona sucesso, foi-nos concedido pelo Pai Deus.

O Pai Deus não aprecia a nossa vaidade nem o nosso orgulho, apesar de ser tão fácil cairmos nesses pecados, mas Ele aprecia a nossa dependência Nele, porque tem tanto para nos dar.

Livro II - Salmos 63 - Sede

Um salmo que se aplica muito ao tempo em que vivemos, necessitamos de sentir esta sede por Deus que nos leve a acordar cedo para estar com Ele e que nos leve a não dormir para estar na Sua presença.

David vivia um período da Sua vida de profundo anseio pela presença de Deus, que ele assemelha à forma como uma terra seca anseia por água, diz que este anseio por Deus é para ver manifestações da Sua força e esplendor, acompanha este desejo com oração e louvor, consagra-se de tal forma que se dispõe a trocar a sua vida pelo conhecimento da Sua bondade, por alimentos e reconhece a sua dependência do Pai para viver em vitória perante os seus inimigos.

Nada pode gerar em nós mais empenho em orar, nada pode levar-nos mais a jejuar, nada pode conduzirmos mais ao louvor genuíno, do que um desejo profundo, semelhante a uma sede interior por Deus. Quando se tem sede, troca-se qualquer coisa por um pouco de água, e é este sentimento que creio que David procura expressar, um anseio tal pela presença de Deus, que nos dispomos a trocar os nossos planos ou o nosso conforto por tempo precioso para o buscar. Orar deixa de ser um exercício enfadonho, que ansiamos que passe rápido, mas cada momento na Sua presença torna-se demasiado valioso para ser desperdiçado.

Eu quero esta sede pelo Pai Deus, não uma sede sazonal, mas uma sede constante pela Sua presença.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Livro II - Salmos 62 - Aprender a amadurecer

Um salmo no qual David não fica abatido como em muitos dos salmos anteriores. Diante da oposição que lhe fazem, David demonstra uma confiança em Deus mais madura. Apesar de fazer referências a mentiras e a planos elaborados contra si, David afirma mais do que uma vez:

Não me hei-de perturbar quando vierem as aflições.”

Mais do que afirmar que não pretende deixar-se abater, David incentiva o outros a confiarem em Deus em todas as circunstâncias, a apresentarem-lhe as suas ansiedades, porque Ele pode socorrer os aflitos.

Quando o rei faz estas afirmações, não fala por aquilo que ouviu, fala pela experiência que adquiriu quando o desespero o atingia, mas insistia em levar ao Pai Deus a Sua aflição. Esse tipo de experiências gerou nele um maturidade que mais tarde vimos a constatar em salmos como este.

Podemos atravessar aflições, ficar deprimidos e não aprender nada com o que estamos a passar, nesse caso estamos apenas a adiar a prova, porque provavelmente iremos passa-la outra vez, visto que através dela o Pai Deus deseja ensinar-nos a colocar a sua palavra em prática e a amadurecer, mas também podemos trazer o nosso desespero ao Pai e tentar descansar Nele, aprendendo assim um novo nível de confiança.

Quando olho para trás e penso em tantas provas que falhei, penso também que tenho que estar preparado para outras que possam estar a chegar, e espero poder dizer como este rei da antiguidade dizia: “...o verdadeiro poder só a Ele pertence e além disso Ele é bom e nos recompensa segundo o que fazemos para Ele.”

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Livro II - Salmos 61 – Excepcional ou normal?

Muitos dos salmos de David que se encontram neste segundo volume do livro de salmos, foram escritos em situações de perigo ou aflição, por isso encontramos na maioria das Bíblias, uma descrição do momento em que o hino foi escrito.

No entanto, neste salmo tal não acontece, não encontramos uma descrição introdutória da razão que levou David a escreve-lo, mas ao lermos o cântico, vamos encontrar o motivo deste e de muitos outros salmos de louvor que David escreveu sem que estivesse a atravessar um momento de perigo:

...assim cantarei salmos ao teu nome continuamente, cumprindo a minha solene promessa de te louvar todos os dias.”

David não necessitava de um momento de perigo, de ter cometido um pecado, ficando carente de restauração ou que um exército inimigo se levantasse contra ele, David mantinha uma comunhão diária com Deus. Muitas vezes fazemos coisas que consideramos excepcionais, porque as circunstâncias o exigem, mas também fazemos coisas excepcionais que deveriam fazer parte da nossa comunhão diária.

Não nos podemos lembrar do dia em que jejuámos e obtivemos uma grande vitória, não nos podemos lembrar daquele período das nossas vidas em que todos os dias orávamos ou todos os dias tínhamos um tempo de louvor, líamos a Bíblia e intercedíamos, porque todos os dias o devemos fazer, não são actividades excepcionais, mas rotineiras e normais na vida de um cristão.

David tinha o compromisso de louvar Deus todos os dias, ao qual ele chamava “...solene promessa...” , assim também devíamos ver o nosso tempo diário com Deus, como uma solene promessa que nos devíamos esforçar por cumprir cada dia.

...que o teu reino venha, que a tua vontade seja feita aqui na terra, tal como é feita no céu.”